sexta-feira, 1 de junho de 2012

Trecho3

Um rapaz passou vendendo sorvete e mais uma vez Justin foi comprar para nós. Ainda tinha algumas moedas no bolso da bermuda. Seu pai dera carta branca para gastar o dinheiro. Estava muito quente e nós dois precisamos baixar um pouco a temperatura.
Justin, ao brincar com o sorvete, sujou a ponta do meu nariz e depois em um gesto carinhoso o beijou para tirar o sorvete. Para me vingar da sua travessura, peguei o meu com toda a vontade e lambuzei toda a sua boca. Ele me olhou com um jeito travesso e sem o menor pudor me disse:

—Sua vez de me limpar.

Não preciso nem dizer que fiquei morrendo de vergonha. Sabia a que ele se referia, mas me fingi de inocente. Hesitei por alguns instantes antes, abaixei a cabeça e refleti sobre aquilo, não importava o gesto. Era o meu “namorado”. A palavra soou estranha naquele momento. Aí a ficha caiu. Acabei pondo a timidez de lado e levei os lábios até o dele. Ao invés de simplesmente tocá-lo com selinho, passei a língua em seu contorno para limpar o sorvete. Ele aproveitou a deixa, segurou os meus cabelos e invadiu a minha boca com sua língua. E foi... foi... digamos que Glorioso! As minhas borboletinhas estavam dançando de felicidade, no mesmo compasso do serpentear de sua língua. No início reagi de forma tímida. Pouco a pouco fui me soltando e correspondi o beijo com ardor. Aquele foi o nosso primeiro e glorioso beijo. Sentia meu corpo leve, flutuando em um estado completamente encantado com o toque, o gosto do sorvete, o prazer dos movimentos, a alvoroço das minhas borboletas... Estava completamente fora de mim. Só existia Justin e o seu maravilhoso beijo. Nunca me esqueceria daquele momento. Ainda posso sentir essa sensação de êxtase me invadir agora.

Depois que interrompemos o beijo, Justin ficou me olhando de forma encantada. Seus olhos negros brilhavam tanto. O sorriso mais lindo surgiu naqueles lábios carnudos, deixando evidente a covinha no queixo. Segurou a minha mão e me puxou para a água. Caímos juntos, derrubados por uma onda, rolamos na areia nos braços um do outro enquanto trocávamos mais beijos... Ah que coisa deliciosa. Se antes daquele momento soubesse qual a sensação de beijar, já teria perdido a timidez há mais tempo. Seria impossível conter o ímpeto de me perder naquele delicioso manancial de sensações.  Assim nós beijamos e beijamos. Não fizemos nada além de beijar toda aquela tarde. É claro que ao ir ao encontro dos pais dele para comer, disfarçamos um pouco. Sabíamos, no entanto, que eles provavelmente presenciaram a cena, e sentia vergonha.

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Trecho2

— Eu queria contar outra coisa. Essa é a mais importante de todas para Lizzy e para mim. — Começou dizendo meio nervoso. Por baixo da mesa segurou forte a minha mão e percebi o quanto estava tenso com aquela situação.

— Vocês resolveram se casar? Não é cedo para isso? — Minha sogra perguntou e percebi que uma das sobrancelhas do meu sogro se arquear de forma repreensiva.

— Também!— Justin respondeu sério.

— Já sei!— Jony, todo brincalhão, com certeza não fez por maldade, começou a bater na mesa.
Meu sogro o fuzilou com o olhar, que ele não deu a menor importância. — Vou ganhar outro sobrinho? Ye! Ye! Ye!— Ele sabia que estava irritando o pai, mas fazia para chamar a atenção mesmo.

Quando Justin me olhou assustado e depois para ele, parou  de bater a mesa e retrucou.

— É isso? Tá ferrado!

— Vamos Justin!— O pai ordenou, se dirigindo a ele pela primeira vez. — Conte-nos a  sua novidade.

— Lizzy e eu vamos ter um bebê. — Disse rapidamente.

— Parabéns!  Parabéns!— Meu sogro começou a bater palmas de forma histérica e todos olhavam para ele assustados. — Você conseguiu, finalmente, arruinar o seu futuro. Eu sempre soube que um dia faria isso por ”ela”. — Apontou para mim e engoli em seco.

— Veja bem, Elizabeth, não me leve a mal. Foi por isso que nos mudamos de Chilton, sabia? Eu sempre soube que essa paixão de vocês o tiraria do rumo que tracei para ele. Pelo visto estava certo o tempo todo.

Meu coração se oprimiu naquele momento. Olhei para Jony e para a Sra. Vanessa, que fez sinal para eu não responder nada. Voltei o meu olhar para ele e simplesmente esperei pela tempestade.

— Agora Justin, diga para mim o que fará da sua vida? Quais seus planos? — Ele perguntou com um humor sardônico.

 Justin mesmo nervoso permaneceu firme e não fraquejou. Respondeu como um homem assumindo os seus atos.

— Eu tenho um emprego, estamos procurando um apartamento e continuo com planos de conseguir uma bolsa em Viena.

Silêncio!

— Humm! Tudo muito calculado... Você tem duas mulheres grávidas, um emprego de merda, não tem uma profissão, casa, ou reserva de dinheiro e quer estudar música. Será que seus sonhos pagarão o plano de saúde? Os custos com parto e internação de duas mulheres? Custos com roupas e remédios para os bebês? É de sonhos que você continuará a viver? Fará meus netos passarem por privações... Inferno!

A pancada que deu sobre a mesa fez um enorme estrondo e todos se encolheram com medo. Nunca o tinha visto tão fora de controle como naquele momento.

— Jonathan... — Minha sogra tentou falar, mas ele a interrompeu.

— Não, Vanessa! Dessa vez não! Não vai passar a mão na cabeça dele. São duas crianças inocentes envolvidas aqui. Para começar, se ele tivesse feito o que ensinamos, deveria estar bem casado com a Melissa. Estranha ou não, ele a engravidou. Ao invés disso o que seu filhinho fez?

Os olhos dela encheram de lágrimas, mas ela não disse nada.

— Pai, deixa minha mãe fora disso. A responsabilidade é minha. Toda minha!— Justin a defendeu.

— Eu não nego isso! Mas foi ela quem permitiu que você fizesse besteiras na sua vida. Te mimou todos os anos porque tinha medo de te perder. E te estragou. A culpa sem dúvida é da sua mãe. Agora mesmo, quando fui contra vocês dormirem no mesmo quarto, o que ela fez? Ela me desafiou. Aí está o resultado!

Ele apontou para mim e meus olhos se encheram de lágrimas. Não queria chorar. Dar a ele o gosto de me ver derrotada. Mas estava destroçada com aquelas palavras tão amargas, como se eu tivesse destruído a vida de Justin. Nada do que ele disse foi justo.

— Sou maior de idade e terei que me virar com o que arrumei. Lizzy e eu vamos nos casar. Não sei como será o futuro, mas farei o possível para meus filhos não sofrerem. — Justin respondeu em tom desafiador.

Pela primeira vez enfrentou o pai.

— E você acha que o filho da Melissa não sofrerá? Eu já vi isso acontecer antes, Justin. Dois irmãos, filhos de mãe diferentes, criados de forma diferente e um menos amado do que o outro. Estudam na mesma escola, viram rivais. O ódio cresce entre eles. Tudo porque o pai não soube se preservar e teve que fazer uma escolha. Aliás... — Olhou para mim. — A senhorita não conhece os métodos contraceptivos? Nunca ouviu falar em pílula, DIU, injeção ou camisinha? Sabe que poderia estar com uma doença ao invés de um filho, Elizabeth? Onde estava com a cabeça quando transou sem preservativo? Quem te garantia que Justin estava limpo? São garotas burras como você que morrem todos os anos com AIDS.

Ele foi grosso, impiedoso e malvado nas colocações, como se fosse uma desfrutável, que sai por aí transando com qualquer um. Senti ódio naquele momento. Como ousava falar daquela forma comigo?

— Senhor... — Tentei falar e me defender. Não poderia ficar calada depois de tudo aquilo.

— Não! Não me venha com desculpas. — Eu me encolhi toda e Justin veio a minha defesa.

— Você não tem o direito de humilhá-la assim!— Ele apontou o dedo para o pai gritando— Só para saber, usamos camisinha e ela estourou. Foi a nossa primeira vez... Apenas um acidente. Ela não é nenhuma vagabunda... Pondere sua língua ao falar dela ou com ela.

— Não aponta esse dedo para mim, moleque!— O outro advertiu vociferando. — Para a sua informação muitas camisinhas estouram. É por isso que existem outros meios de evitar a concepção. Eu sou seu pai, mesmo você fazendo coisas que eu desaprovo, e por isso darei a última oportunidade. Não pense que faço isso por  você. Só não quero que meus netos passem fome.

— Eu não quero a sua piedade!— Justin respondeu levantando-se da mesa e batendo as duas mãos com força. Ninguém ousou dar um pio. Nem mesmo Jony, com suas brincadeiras habituais.

— Eu não terminei moleque!— Justin parou e olhou para ele como se fosse fuzilá-lo com o olhar. — Você volta para a faculdade de direito no próximo semestre e conclui o curso. A casa em que morávamos não foi vendida. Sua “adorável” mãe não quis vendê-la, porque tinha a esperança de vocês se mudarem para lá. Vocês se casarão, direito, como se deve, e eu ajudarei nas despesas até você conseguir se formar e sustentar essa sua “família tão numerosa”. Essa é a última proposta. Se tiver juízo vai aceitar e fazer a coisa certa.
— E se eu não quiser? — Justin o desafiou.

— Estará abandonado à própria sorte. Sua mãe está PROIBIDA— Ele olhou para ela. — De ajudá-lo independente da situação. Se ela mover uma palha, esse casamento estará acabado. Todos me entenderam? Essa é a última palavra.

Ele se levantou furioso da mesa e saiu, deixando todos atônitos.

— Ó Meu Deus! Ó Meu Deus! O que vamos fazer? — Minha sogra começou a andar de um lado para o outro. Justin saiu desnorteado e sumiu. Eu fiquei ali, olhando para Jony, que estava com cara de assustado.
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Resenha - 1


Resenha feita pela leitora Nathalia de Lima

A estória começa Lizzy lendo um diário e recordando com Justin os anos que viveram juntos, pois ele está com uma doença terrível já em fase avançada.

Lizzy vem de uma família pobre e mal estruturada, com o pai alcoólatra e a mãe submissa ao marido. Ela e sua família se mudam para uma nova cidade, onde conhece Justin, um menino de uma família bem estruturada e religiosa.


Justin e Lizzy se tornam amigos inseparáveis e ali nasce um grande, e inocente, amor. Mas como nada é para sempre, Justin e sua família saem da cidade. Eles juram que nunca vão se esquecer, mas deixa Lizzy sofrendo pela perda de seu melhor amor.



Os seus pais se separam, ela se muda com a mãe. Anos depois vai morar no campus de uma universidade. Porém como o destino deles já estava traçado, Lizzy reencontra Justin, de uma forma não muito boa, em uma cama de hospital, após ter sofrido um terrível acidente de carro.



Quando Justin se recupera, ele vê Lizzy e se apaixona outra vez por ela. Só que Justin está namorando e existe um impedimento para ficarem juntos. E para completar a desgraça, a namorada de Justin fica grávida.


O amor de Lizzy e Justin é maior do que tudo, então eles ficam juntos.

As dificuldades vêm, mas eles não desistem um do outro. Lizzy e Justin formam uma família linda, cheia de filhos, netos e bisnetos, criados com carinho e amor.


É um romance escrito de um jeito lindo e delicado. A Glaucia Santos é uma escritora fabulosa que envolve seus leitores até a última palavra do romance. Os detalhes que são descritos, encaixando-se de uma forma linda na história. O leitor se envolve de tal forma, que sofre com os dramas na vida das personagens. É simplesmente maravilhoso!



Espero que goste!
Beijos
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